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O MÍNIMO E O MÁXIMO
O que fica na rede do sistema capitalista são sempre os peixes grandes. Os pequenos lhe escapam. Em seu salvador mínimo, Cuba, por exemplo, ainda não foi abocanhada pelo Golfo do México. O México foi suficientemente grande para se deixar engolir.
Dizem por aí, socialista solitário, que não existe mais a discussão Direita x Esquerda. Onde estás? No estômago de um peixe em crescimento ou na rede do peixe grande? No Japão, já nem servem peixes, necessitam de baleias. Não estás lá nem aqui. Nem mesmo na lua.
Cárcere. É onde foi parar toda discussão. No cárcere (Há que se dizer: Privado). Na prisão de sua fraqueza, a mesma que lhe salva de ser engolida.
E de que modo tornar Cuba maior senão se entregando ao primeiro que oferecer em boca aberta para as suas conquistas? Um barco que não sai do lugar está condenado a ver continuamente seus marujos se jogando ao mar e seus corpos sem alma só voltam a aparecer em Miami Beach, piratas sem pátria. Que se salve, servindo de alimento às baleias; logo, na culinária japonesa. Sushi.
A discussão fará má digestão em quem a engolir, é sabido. Dura de entrar e dura de sair. Se dura tanto não foi solucionada ainda. Foi abocanhada, mastigada. Porém se prendeu na garganta ou entre os dentes. E, pouco perto do estômago, muito menos de voltar como vômito. Virá como quem corta pescoço, separando mente e corpo. Como religião humana. Como reinado do pequeno. Como Cristo - dizem os profetas do marxismo. Mas, como? Comeremos. Comeremos. Do corpo e do sangue da nova aliança.
O que fica na rede do sistema capitalista é sempre grande. Pequenos lhe escapam. Mantenham-se mínimos. Pescador diz toda vida que pegou maior. Lembra-te que peixes também morrem pela boca. Mantenham-se também calados, socialistas do mundo. A discussão não acabou. Apenas, por hora, fale-se mais baixo. Ao modo de quem se confessa ao padre.
Estudante de Filosofia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Colabora nos sites Escritores & Tal, Interpoética e NotaPE e edita o blog thiagopiningablog.wordpress.com. Além disso, comenta livros de literatura no programa Observatório Literário, da Rádio Folha (FM 96.7).



