Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Homiepie fotografado cubista-tropical por Cécile Duchamp

“o que mais gosto nestes novos músicos é o bom trato do presente-futuro.” – Alberto Infante, Diário Austral.

“algumas coisas me intrigam muito. por que em são paulo só falam em inglês estes jovens?” – Barbara Woolfer, Revista de Cinema.

“amo os cartazes e fotos que a banda expõe. não sei se é uma preocupação que eles têm, mas se fosse não seria de todo mal. imagem também é canção” – Oscar & Pablo, Caderno Cultural.

“as melodias das canções me agradam mas gostaria de ouvi-las em palavras portuguesas.” – Clarice Flor, Suplemento Palavra.

“são tão fofos. tchau.” – Anônimo, Fã Clube.

“!” – Poeta Anônimo, Clube de Literatura dos Corações Solitários do Sargento Carrero.


Bom dia princesa! É o que diz o personagem mítico de A vida é bela, mas aqui neste blog humilde e imodesto seguimos com as bandas que nos inquietam de alguma forma. Bem, a
Homiepie não soou a mim com grandes canções, letras ou arranjos, tampouco vi grandes performances de palco. (há ainda alguém que use está expressão?! argh) "eu nunca escrevi tanto numa apresentação de banda".

São três jovens paulistas que cantam nas ruas; Six escreve, Denem dirigi e Bruna desenha; e são destes novos músicos (e de muitos outros, é claro) que a música paulista vem se desenvolvendo. Há certo tempo é possível ouvir suas canções que estão no
EP Fireworks. Pouco posso falar do EP, pois ouvi um bocado e críticos ouvem pouco e falam muito, e eu sou o avesso do avesso do avesso. É um disco relaxado, distraído e vencedor.


Rennó: Vi diversas fotos de apresentações que vocês fizeram e percebi que alguns dos shows não são em locais habituais. Como se deram esses shows e que clima se dá entre vocês quando o palco não é propriamente um palco?

Six: Os shows nesses lugares aconteceram mais por acaso do que qualquer outra coisa. A verdade é que tocamos em qualquer lugar que possa nos acolher, e aí sem dúvidas posso dizer que temos preferência por palcos menores. Como somos apenas três, um lugar pequeno e muitas vezes sem palco funciona muito bem pra gente. É aconchegante. Como a Casa do Mancha, por exemplo. Nos apresentamos duas vezes lá e foi muito bom.

Rennó: A decisão de gravar em casa e com pouco equipamento se deu em que circunstâncias?

Six: Dinheiro (a falta dele) e a vontade de ter total controle sobre as primeiras composições que fiz. Não sabia exatamente como queria que as músicas ficassem, então gravar em casa me deu muita liberdade e tranquilidade. Fiz o que queria e como queria. Claro, tudo dentro das limitações do equipamento que tenho em mãos. De qualquer forma, foi uma experiência excelente.
Homiepie fotografado em não-palcos por Cécile Duchamp.

Rennó: Gostaria que vocês falassem sobre os membros da banda, mas de uma maneira diferente, pois penso que os instrumentos que cada um tocam não são restritivos às funções que estes exercem na banda. O que mais fazem na Homiepie? Como é organizada ou desorganizada a banda?

Six: Posso dizer que nós três somos pessoas organizadas e pontuais, o que é bom e ajuda bastante. E, vamos ser sinceros aqui, somos chatos em alguns aspectos. O que também ajuda de vez em quando. A Bruna talvez seja a mais (organizada, não chata). Ela também faz a maioria dos cartazes para os nossos shows e, de vez em quando, eu também faço alguns. O Denem é o motorista oficial, já que nem eu e nem a Bruna temos carros. Então o carro dele está sempre entupido com os instrumentos nos levando pra cima e pra baixo. Como a Bruna é tímida e o Denem nem sempre tem saco para responder à perguntas, eu costumo ser o responsável pela maioria das entrevistas com a banda. Acho que é isso. Você pode concluir que o Homiepie é formado por três chatos cheio de manias. Mas isso não é verdade. Não o tempo todo. hahaha

cartaz feito pela banda...

Rennó: Vi que vocês têm um grande número de shows em sua agenda, mais no sentido de que isso não é comum para uma banda iniciante. Como é o circuito de shows que vocês estão circulando?

Six: Como falei na primeira pergunta, aceitamos tocar em praticamente qualquer lugar que possa nos acolher. Somos três, usamos pouco equipamento, não temos bateria... é fácil. Acho que isso ajuda na hora de marcar shows. E queremos tocar sem parar. Queremos melhorar o nosso show e queremos que as pessoas conheçam as músicas, então não há melhor lugar para se fazer isso do que ao vivo. O circuito de shows que estamos circulando é o de bandas pequenas e sem frescura. E isso me agrada bastante.

Rennó: Há um título de livro de Paulo Leminski em que ele versa: "Distraídos venceremos." A banda e a música que vocês fazem me soa distraída, leiam isto como uma crítica. Qual a exigência que vocês têm com a música que vocês fazem?

Six: Nossa maior exigência é agradar a nós mesmos, sempre. Nunca penso em determinada banda ou público quando começo a fazer uma música. Isso jamais vai passar pela minha cabeça. Como não gosto e não costumo criar expectativas pra cima do Homiepie, acho que outra exigência é tentar fazer com que tudo seja extremamente natural. As músicas têm que sair de forma natural, nunca de um jeito forçado. Se algum dia não for assim, pode ter certeza de que não estarei feliz. Talvez por isso a banda soe distraída para você, acho que por conta dessa quase-exigência de que tudo seja sempre natural.


Homiepie - Bye

Rennó: Entre compor uma canção e pô-la num disco ou palco um longo caminho se dá. Que canções têm nascido entre vocês nestes últimos dias?

Six: Já temos um bom número de canções novas e em breve vamos nos concentrar no registro de um novo EP. As músicas mais recentes são bem diferentes das antigas, do EP Fireworks. Tenho pensando em mais teclados para as músicas e o que posso dizer é que elas têm ficado com um aspecto muito mais "flutuante" do que as velhas. Não sei se consigo explicar isso. É como se servissem de trilha sonora para os meus próprios sonhos e, quem sabe, os de outras pessoas. Não sei alguém também vai interpretar assim, mas é como elas têm soado dentro da minha cabeça.




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